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Documentário traz narrativas do povo Tukano sobre as ‘origens do mundo’, no Teatro da Instalação

Documentário traz narrativas do povo Tukano sobre as ‘origens do mundo’, no Teatro da Instalação

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Estreia do longa é nesta quinta-feira, às 19h, com entrada gratuita

O documentário “Pelas Águas do Rio Leite” estreia nesta quinta-feira (15/03), às 19h, no Teatro da Instalação (rua Frei José dos Inocentes, s/nº, Centro, zona sul). O longa é fruto de duas expedições pelos rios Negro e Uaupés que traz narrativas de indígenas de diversas etnias da família Tukano, do Alto Rio Negro, sobre as origens do mundo. O evento, que tem entrada gratuita, integra a agenda do Programa Espaço Aberto, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

O lançamento do filme é promovido pelo Instituto Socioambiental (ISA) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). A exibição será seguida de um bate-papo com a diretora do filme, a antropóloga do ISA, Aline Scolfaro, e conhecedores e lideranças do Alto Rio Negro que protagonizaram a experiência retratada na obra.

Dentre os convidados estão Higino Tenório Tuyuka, que coordenou as duas expedições pelos rios Negro e Uaupés, Manoel Lima Tuyuka, kumu e um dos conhecedores participantes, e Dagoberto Azevedo Tukano, antropólogo e doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM/Neai).

“O filme está em produção desde 2013, quando se teve a primeira expedição, e gerou mais de 300 horas de material, onde se refazem os caminhos dos ancestrais Tukano, com tradução de cinco línguas que são faladas por essa etnia. A ideia é que possamos trabalhar essa material tanto em filme, como em capítulos, para podermos rodar em escolas e comunidades”, explica Aline.

Além do ISA e FOIRN, a produção do filme contou também com a importante parceria do Vídeo nas Aldeias, tanto na fase de captação quanto no processo de edição. E teve o apoio do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Museu do Índio, da Funai (através da Coordenação Regional Rio Negro) e da Fundação Rainforest da Noruega.

Expedições – Entre os anos de 2013 e 2015, um grupo de conhecedores do Alto Rio Negro, no noroeste da Amazônia, pertencentes à diversas etnias da família linguística Tukano Oriental, embarcou em duas expedições pelos rios Negro e Uaupés com o intuito de refazer parte da rota de origem e de transformação de seus ancestrais.

Segundo os conhecedores, esses primeiros ancestrais chegaram à região do Alto Rio Negro depois de uma longa viagem subaquática pelos rios Amazonas, Negro e Uaupés, realizada no ventre de uma Cobra-Canoa. Ao longo desse percurso foram parando em vários lugares importantes, onde obtiveram os conhecimentos necessários para a vida de seus descendentes nessa Terra. Foi com o intuito de recontar essa história que o grupo de conhecedores embarcou nessa aventura.

A primeira expedição, realizada em 2013, percorreu mais de 800 quilômetros pelo curso do Rio Negro, desde sua foz na cidade de Manaus até o município de São Gabriel da Cachoeira (AM), na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Foram identificados 23 lugares importantes e, em cada parada, os conhecedores dos diversos grupos participantes da viagem narravam suas histórias e os eventos aí ocorridos, sempre destacando o nome do lugar em sua língua e os tipos de conhecimentos, técnicas, artefatos e outros bens rituais que teriam lá se originado: encantações de cura, cantos, danças, substâncias de uso cerimonial, enfeites de penas e outros tantos objetos de valor ritual e cotidiano.

Na segunda expedição, em 2015, foram cerca de 200 quilômetros percorridos, começando pelo trecho alto do rio Negro nas imediações da cidade de São Gabriel da Cachoeira e entrando pelo rio Uaupés até chegar à Cachoeira de Ipanoré. É esse o ponto em que os primeiros ancestrais emergiram para esse mundo como seres humanos verdadeiros e passaram a povoar o território onde hoje vivem os diversos grupos da família tukano.

Ao longo dos mais mil quilômetros percorridos pelas duas expedições, acompanhadas por uma equipe de cinegrafistas (indígenas e não-indígenas) e mais alguns pesquisadores e interlocutores não-indígenas, foram visitados mais de 60 lugares sagrados e produzidas quase 300 horas de gravações.

“Nós estamos construindo uma história, diferente da dos antepassados. Antepassados eram através da narrativa. Agora, nós estamos apropriando outro recurso técnico, que a gente chama mapa, GPS, escrita, tudo. Isso é importante para nós”, ressalta o conhecedor Tuyuka, Higino Tenório.

Pelas Águas do Rio de Leite é, portanto, um retrato dessa importante experiência e apenas uma amostra da enorme riqueza das paisagens do Rio Negro e do complexo conjunto de conhecimentos que permeia a vida e a história desses povos.

FOTOS: Divulgação

Fonte : Assessoria de Comunicação

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