Entrevista com o deputado estadual Josué Neto

“Veja bem, eu estou no momento exercendo um mandato de oposição. Não é que eu me veja e que não me veja. Só que é uma oposição propositiva, “NÃO uma oposição irresponsável que só vai à tribuna da casa para criticar o governo. Porque a gente sabe que os problemas que o governo do Estado enfrenta são históricos, então não dá para dizer que todos os problemas do Amazonas acontecem por conta do primeiro ano de governo do Amazonino, não dá para ser irresponsável a este ponto, afirma Josué Neto.

O senhor já possui três mandatos como deputado estadual e deverá concorrer à sua quarta eleição este ano. Em 2014, o senhor foi o deputado mais votado, com mais de 60 mil votos. Em seu planejamento estratégico de campanha, o senhor pretende atingir qual faixa de votos nesta eleição de 2018: de 30 mil a 40 mil, de 40 mil a 50 mil ou acima de 50 mil?

A votação é o resultado de um trabalho feito no interior e na capital, Manaus. Esse ano será uma votação diferente, pois está acontecendo um movimento muito grande no país pelo voto nulo, pelo voto de protesto. Nós não esperamos ter uma votação próxima de 60 mil votos desta vez, apesar de que existe uma tendência natural de um trabalho bem feito e respostas das pessoas que trabalhamos. Seria extremamente compreensível que todos os deputados tenham uma queda em seus números de votos. Para mim, estimo uma média entre 40 mil votos.

O Amazonas tem um governador que este ano completará 79 anos, enquanto que Manaus possui um prefeito que fará 73 anos, ambos em novembro. O que falta à sua geração de políticos para ocuparem cargos majoritários, visto que outros Estados do Brasil já foram ou são administrados por governadores da mesma faixa etária do senhor, o mesmo ocorrendo com prefeitos de outras capitais? Qual a razão sociológica para que seja tão difícil substituir nomes nos cargos majoritários da política amazonense?

O meu nome foi colocado à disposição juntamente com o nome de Marcelo Ramos nas eleições municipais de 2016, mas a população de Manaus assim não o quis. Não há desculpas para isto. A gente, como democratas, sempre procura entender a vontade da população, e assim fizemos. Não colocamos culpa em A, B ou C de não termos vencido as eleições, mas nós apenas escutamos a vontade da cidade de Manaus. Se foi bom ou se foi ruim, a história assim dirá. Eu não digo que eu e o Marcelo teríamos as soluções para a cidade de Manaus, mas a gente sabe que a cidade de Manaus precisa de um pouco mais de dedicação, o que requer mais esforço. Em relação ao que acontece no país com prefeitos mais jovens, que é posterior a esta do governador Amazonino (Mendes) e o prefeito Arthur (Neto), seria bom que a população prestasse atenção na qualidade de excelentes executivos que se tem em outras cidades e capital, como por exemplo, o ACM Neto (Antônio Carlos Magalhães), prefeito de Salvador pela segunda vez, que é uma prefeitura que tem índice de popularidade batendo recordes naquela capital, e acho que este momento vai chegar, basta ter um pouco de paciência e não perder a vontade de servir o seu povo.

Deputado, acompanhando a trajetória política da sua família e do senhor, são parlamentares que estão sempre muito próximos dos governantes, seja o prefeito ou o governador da vez. O senhor consegue se imaginar sendo alguma vez um deputado de oposição, já que o PSD terá um candidato a governador contra Amazonino? O senhor fará, no 2º semestre do Legislativo estadual, discursos de um deputado de oposição?

Veja bem, eu estou no momento exercendo um mandato de oposição. Não é que eu me veja e que não me veja. Só que é uma Oposição Propositiva, “NÃO” uma oposição Irresponsável que só vai à tribuna da casa para criticar o governo. Porque a gente sabe que os problemas que o governo do Estado enfrenta são históricos, então não dá para dizer que todos os problemas do Amazonas acontecem por conta do primeiro ano de governo do Amazonino, não dá para ser irresponsável a este ponto. Mas as nossas proposições são sempre no que a gente acredita, por exemplo, a solicitação e apresentação dos problemas de pessoas que estão morrendo de malária no alto Rio Negro. Fui o primeiro detentor de mandato a falar e tratar sobre este assunto, que precisou duas semanas para o governo entender aquilo era um problema grave e que houveram mortes nestas duas semanas, isso foi uma ação de um deputado de oposição. O mesmo houve quando o governo tentou tirar as atribuições da Seplancti e transferir para a Sefaz, onde fui o primeiro deputado a me posicionar contra, ou seja, isso é uma ação de deputado da oposição, só que todas as ações que fiz foram extremamente responsáveis e técnicas, até porque temos informações, números, não trabalhamos com a subjetividade. Trabalhamos de forma técnica, propositiva e dizendo que havia erros. Cerca de dez dias atrás, nós cobramos a destinação das emendas dos parlamentares (à LOA), votamos mais de 300 propostas que foram inclusas ao orçamento de 2018 e legalizadas, para o governador ir em público e dizer que as emendas não estão no orçamento. Veja bem, eu sou economista, estou no 12º ano do meu mandato, já fui presidente da casa por duas vezes e estou como presidente da Comissão de Orçamentos e Finanças. Se eu e todos os colegas fizemos que as emendas fossem oficializadas dentro do que prevê a Constituição, não há como o governador, que exerce o seu quarto mandato, dizer que as emendas não estão no orçamento. Veja bem, o governador Amazonino já foi senador da República e já destinou emendas para o orçamento da União, o mesmo ocorre com a Assembleia destinando emendas ao orçamento do Estado. Então não há como ele declarar isto e nós não irmos contra, porque ele tem idade, ele tem experiência, mas infelizmente alguém deve estar o orientando mal.

A Aleam sempre passa por um processo de renovação. Pelo o que o senhor tem observado em suas caminhadas, o deputado conseguiria identificar dois ou três nomes novos que poderão se eleger para deputado estadual?

Não tenho este tipo de premonição, trabalhamos com dados técnicos. Agora, a Assembleia vai ser renovada porque aqui tem candidatos ao Senado, candidatos à deputado federal e pré-candidatos ao governo. Temos pelo menos sete a oito colegas que vão sair e darão entrada para novos nomes.

O governador Amazonino Mendes, que o senhor ajudou a eleger no ano passado, esforçou-se para se afastar daqueles que foram fundamentais em sua vitória. O senhor diria que Amazonino foi injusto e ingrato com os que o ajudaram a voltar ao poder?

Política se trabalha com estratégia. O Amazonino deve ter os motivos dele e as estratégias para ter descartado diversos companheiros de eleição em 2017.

Em sua atual campanha publicitária, o Governo do Estado deixou de lado o “Amor à causa pública” e o “Arrumar a casa”, e agora está utilizando o “Não faz mais do que a sua obrigação”. Qual a sua opinião sobre essa propaganda que, para alguns especialistas, parece cínica?

O governo quer passar uma imagem de ser mais transparente e que está cumprindo com suas obrigações, porém, as denúncias e os problemas que ele tem enfrentado num ano eleitoral por dar prioridade à questões não são essenciais, são gritantes. Os problemas fundamentais como a segurança, a saúde pouco mudou e principalmente a trabalhar no sentido de promover o emprego. Não há trabalho social dentro de uma instituição pública maior do que se trabalhar o emprego. E veja a contradição, alguns dias atrás, a secretaria especializada nisto, promoveu um emprego que a Seplancti estaria sendo diminuída em seu tamanho e prejudicando várias áreas trabalhistas.

O senhor tem percorrido todas as cidades do interior do Estado. Como está a situação da saúde e da educação públicas nos municípios?

Todas as semanas encaminhamos diversos requerimentos ao Executivo solicitando a manutenção de equipamentos essenciais como raio x, mamógrafo e ultrassom. Se não se tem esses principais equipamentos no hospital, ele está apenas tratando da saúde de baixa e média complexidade. Porém, quando se fala das maiores doenças que se precisa de um tratamento específico para ser detectado, não há este tipo de equipamento na grande maioria dos municípios do Amazonas.

Qual o principal problema da gestão pública no Amazonas, vide a baixa qualidade dos serviços prestados à população?

Eu acho que o principal problema para a capital e interior é o mesmo. Escolha a prioridade. Concordo que devem haver eventos culturais para a população e práticas saudáveis para a juventude, mas não se pode destinar R$ 50 milhões ou R$ 60 milhões que foi dado publicidade na imprensa amazonense, por exemplo, ao Festival Folclórico de Parintins, o que é possível fazer com R$ 10 milhões, R$ 15 milhões, é possível, e o restante poderia ser utilizado em outras áreas, pois a cidade de Parintins tem estrutura física para fazer esporte e cultura o ano todo, algo que se você for fazer uma pesquisa com a juventude de lá, vai saber que estas políticas públicas não existem, e isto serve também para os outros municípios, onde jovens estão entrando para o mundo das drogas por conta deste trabalho exercido com a juventude, seja por meio do esporte, da cultura ou do lazer.

Por que votar em Josué Neto novamente? O que o senhor fez de tão diferente e especial que justifique os seus eleitores lhe concederem um novo mandato?

Eu me sinto hoje um parlamentar que está muito perto de seu auge na vida pública. Se nós fizermos uma análise, os governadores e prefeitos chegaram nestes cargos muito próximo dos cinquenta anos. É o caso do Omar, do governador Amazonino, do saudoso Gilberto Mestrinho… então, entendendo desta forma e juntando com vigor da juventude e a experiência, eu ainda tenho muito a contribuir com o Estado. Nós temos uma enorme vontade de contribuir com as pessoas, pois o Amazonas é feito de corações e almas que precisam do serviço público. Quando a gente fala de segurança, falamos de A à Z, o pobre e o rico precisam de segurança. Por exemplo, já temos mais de mil casos de assaltos a ônibus só este ano. Algo que tem dado certo em outros Estados é o cadastro do IMEI dos celulares nos sites de secretarias de segurança pública, e a partir do momento que a polícia acha aquele telefone, chega uma notificação no seu email informando que seu celular foi achado. E isto não custaria nem R$ 30 mil para o Executivo, recuperando ainda em média uns 500 celulares por dia, conforme os dados das regiões que utilizam esta ferramenta. E por quê que eu falo isto? Porque hoje o celular é uma moeda de troca entre os traficantes e usuários de drogas, está diretamente ligado ao tráfico de drogas, é capital líquido, você consegue um em qualquer lugar, são R$ 150 em cocaína, crack e qualquer droga. Mas o governo do Estado e a SSP não estão afim de resolver isto.

 

 

Fonte: Contraponto9

Fotos: Filipe Augusto

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