Mais de 600 médicos formados no exterior aguardam revalidação do diploma em MT e reclamam de mudanças nas regras

Por Cinthya Rocha, TV Centro América

Um total de 652 médicos formados no exterior aguardam a revalidação do diploma pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e reclamam que a universidade alterou as regras do edital com o processo em andamento. Os profissionais deram entrada no processo de revalidação, em 2017 e aguardam o certificado para exercer a profissão no estado. 

A assessoria de imprensa da UFMT informou que segue as leis brasileiras que regem o processo de revalidação de diplomas no país. 

No edital consta três fases. A primeira é a entrega de documentos; a segunda é uma prova e teórica e prática e, caso o médico não atinja a pontuação necessária, é encaminhado para a terceira fase, que é um curso de complementação em uma instituição privada, conveniada com a UFMT, com a duração de um ano. 

Durante o curso, os estudantes passam por várias provas. Depois de todo o processo, se ele for aprovado, está apto a exercer a medicina no Brasil. 

No entanto, a UFMT alterou o edital e acrescentou uma quarta fase, que é uma prova final aplicada pela própria universidade. 

“A UFMT é uma instituição criteriosa com esses médicos, para que eles possam ter excelência na profissão. Após todos os processos de verificação, se forem aprovados, terão o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM)”, explicou a diretora do curso de medicina da UFMT, Bianca Borsatto Galera. 

O estudante Gediel Cândido da Silva, de Alto Boa Vista, a 1.064 km de Cuiabá, se formou em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e fez um curso de complementação de 2.250 horas e passou. 

Gediel afirmou que já recebeu propostas de trabalho em Luciara e São Félix do Araguaia, a 1.180 km e 1.159 km de Cuiabá, mas não pôde aceitar, pois o diploma dele ainda não foi revalidado. 

“Desde a primeira inscrição feita na UFMT, calculo que já gastei cerca de R$ 130 mil, fora os gastos pessoais e outras despesas”, disse. 

Luiz Golembioski, que também é estudante de medicina, disse que durante a terceira fase, ele e outros alunos realizaram mais de 20 avaliações. 

“A própria instituição aceitou uma universidade particular para que pudéssemos fazer esse estágio de 2.250 horas. Dentro do estágio, fizemos mais de 20 avaliações, e agora dizem que isso não tem valor nenhum”, ressaltou. 

Os médicos acionaram a Justiça para que o edital fosse seguido corretamente. Na decisão liminar, o juiz federal Rafael Cazella de Almeida Carvalho acolheu o pedido dos médicos. 

A advogada Fabiana Raslan explica que as regras de revalidação devem ser discutidas com as comissões competentes antes do edital ser lançado. 

“A partir do momento em que os médicos aderiram as regras desse processo de revalidação, eles se preparam, e a direção alterou as regras um pouco antes do início da terceira etapa de um processo que já estava em curso”, pontuou.

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