Trabalho informal é recorde, aponta IBGE

Um dos desdobramentos do avanço da informalidade é a falta de vigor da renda do trabalhador

Brasília – A taxa de desemprego ficou estagnada em 11,8% no trimestre encerrado em setembro, mesmo patamar registrado nos dois meses anteriores. Quatro em cada dez trabalhadores ainda estão informais. Outras 12,5 milhões de pessoas buscam emprego. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (31), pelo IBGE.

O número de pessoas trabalhando é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. No entanto, o mercado de trabalho ainda mostra apenas melhora quantitativa do emprego, e não qualitativa. O País alcançou o ápice de 38,806 milhões de trabalhadores informais, o equivalente a uma taxa de informalidade de 41,4%, a mais elevada já vista. A pesquisa trouxe novos recordes no total de pessoas atuando por conta própria ou sem carteira assinada no setor privado.

Como consequência, a proporção de trabalhadores ocupados contribuindo para a Previdência Social caiu a 62,3% no trimestre encerrado em setembro, menor patamar desde 2012. “Está longe de ter recuperação de carteira, de ter aumento de contribuição previdenciária e todos os desdobramentos que isso pode trazer para o mercado de trabalho”, avaliou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Um dos desdobramentos do avanço da informalidade é a falta de vigor da renda do trabalhador. A massa de salários em circulação na economia cresceu, mas porque há mais gente trabalhando, não há ganho salarial.

A população desempregada alcançou 12,515 milhões no terceiro trimestre de 2019. O resultado é mais que o dobro do piso registrado no quarto trimestre de 2013, antes da crise, quando havia 6,013 milhões de desocupados no País.

Considerando toda a população subutilizada, que inclui os desalentados e subocupados, ainda falta trabalho para mais de 27,5 milhões de pessoas em todo o País.

Desalentados

Segundo o IBGE, a população desalentada (4,7 milhões) recuou (-3,6%, ou menos 174 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior e ficou estável frente ao mesmo trimestre de 2018 (4,7 milhões). O percentual de desalentados em relação à população na força de trabalho ou desalentada (4,2%) variou -0,2 p.p em relação ao trimestre anterior (4,4%) e ficou estatisticamente estável frente ao mesmo trimestre de 2018 (4,3%).

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