Amazonas é o terceiro maior em desmatamento

Em área desmatada, o Amazonas fica em terceiro lugar de acordo com os dados do Inpe, divulgados, nesta segunda (18). Na comparação da taxa de crescimento, o Estado teve a quarta maior alta

Manaus – Dados divulgados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Amazonas foi o terceiro Estado em área desmatada entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano. O Amazonas teve uma área de 1,4 mil quilômetros quadrados desmatados, atrás apenas do Pará (3,8 mil quilômetros quadrados) e de Mato Grosso (1,6 mil quilômetros quadrados).

Na Amazônia, o desmatamento subiu 29,5% entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano, atingindo a marca de 9.762 km2 – correspondente a 6,4 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. É a mais alta taxa desde 2008. O desmatamento no Amazonas corresponde a 14,56% da área total, atrás novamente o do Pará (39,56%) e de Mato Grosso (17,26%).

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (18), na sede do Inpe, pelos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.


A Amazônia teve a maior alta da taxa de desmatamento desde 2018 (Foto: Divulgação/Ibama)

O diretor interino do Inpe, Darcton Policarpo Damião, e Salles destacaram que o desmatamento está em tendência de alta desde 2012, a uma taxa média de aumento de 11,4% ao ano. O valor observado no último ano, porém, ficou pelo menos 1.500 km2 acima do que vinha sendo observado. O campeão de desmate foi o Pará – 39,5% da perda observada na Amazônia -, seguido de Mato Grosso, com 17,2%. Os dois Estados, mais Amazonas e Rondônia, representaram 84% da devastação.

O Amazonas voltou a apresentar taxas dos anos 1990. Chamou a atenção também Roraima, que teve a maior alta de desmate no período – 216,4%. “Pode significar que está se tornando uma nova fronteira de desmatamento”, disse Damião.

O ministro do Meio Ambiente não rejeitou os números, como havia acontecido anteriormente com dados mensais do Inpe – do sistema online Deter. Mas disse que mostram que os governos federal e estaduais têm de adotar uma “estratégia diferente para a contenção do desmatamento”.

Para cientistas e ambientalistas, declarações do governo contribuíram para o aumento. Eles citam como exemplo os discursos do presidente – que disse que acabaria com a “indústria da multa” e desautorizou a fiscalização do Ibama a destruir equipamentos de infratores – e os incentivos à mineração em terras indígenas. “De janeiro a setembro, o número de autuações de crimes contra a flora na Amazônia Legal caiu 40%”, disse o pesquisador Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas.

Governo do Estado reconhece aumento, com ressalvas, no AM

O Governo do Estado reconheceu por meio de nota o aumento no desmatamento no Amazonas indicado pelos dados do Prodes/Inpe, mas reforçou que o total de área desmatada equivale a 0,09% da área total do Estado. “Os dados divulgados pelo Prodes ainda são estimativas, que serão consolidadas em 2020, e correspondem ao período de agosto de 2018 a julho de 2019. Considerando o aumento de 36% no desmatamento do estado em relação aos dados de 2018, o Amazonas ocupa o 4º lugar no ranking (em taxa de crescimento) da Amazônia Legal.

“É importante ainda destacar que 91% do desmatamento no Amazonas está concentrado em municípios do sul do Estado, que vem sofrendo grande pressão da expansão da fronteira agrícola de outros Estados da região. Este já é um padrão identificado pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e a região tem sido foco das ações de combate ao desmatamento ilegal desde o início de 2019. Entre as ações, o Governo do Estado decretou situação de emergência no sul do Amazonas para combater as queimadas e o desmatamento ilegal, o que culminou na redução dos focos de calor em quase 70% no mês de outubro”, diz a nota.

Agricultura

Em Washington, onde terá reuniões com o governo americano, Banco Mundial e BID, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, negou que os números possam afetar a imagem do País no exterior – como ocorreu no meio do ano. “A agricultura brasileira que exporta está no Centro Oeste, no Sul e no Sudeste do País”, disse, embora a Amazônia Legal abarque áreas do Centro-Oeste.

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